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terça-feira, 4 de outubro de 2011 Crítica | 19:35

Acabando em pizza ou não, Band deve faturar com a polêmica em torno de Rafinha Bastos

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Rafinha Bastos: uma piada mudou os rumos de sua carreira

Nos corredores da Band o assunto mais discutido da semana tem dividido opiniões. Há quem ache que o afastamento de Rafinha Bastos do “CQC” vai acabar em pizza. Outros afirmam que o humorista tem pagado um preço alto demais pela infeliz piada em que afirmava que “comeria” Wanessa Camargo e seu bebê – a cantora está grávida. Nos últimos dias, uma verdadeira tempestade tomou a vida do apresentador do programa exibido às segundas-feiras. Rafinha recebeu uma dura reprimenda dos diretores do canal, foi afastado do comando da atração temporariamente e ainda se viu duramente criticado pela imprensa e por colegas famosos no Twitter – o companheiro de bancada Marco Luque chegou até mesmo a soltar um comunicado em repúdio à brincadeira. No caso de Luque, o que se comenta é que a nota de esclarecimento foi escrita como um meio de manter a amizade com Ronaldo – o ex-jogador de futebol rompeu com a trupe de humoristas e era muito próximo dele – e também de permanecer como garoto-propaganda de uma campanha de telefonia celular. Se este era o objetivo, não deu certo. Ele foi substituído por Marcelo Adnet na publicidade no último fim de semana.

Os danos não foram apenas morais, com xingamentos em redes sociais e afins, ou colaterais – como no caso de Luque. Rafinha teve cancelados contratos publicitários e corre o sério risco de perder o especial de fim de ano que iria ao ar em 16 de dezembro. Doeu também no bolso. A Band teme que os anunciantes não comprem cotas da atração. Do dia para a noite, o humorista se viu no papel de vilão. E deve usar esse período para refletir sobre os limites do humor.

De fato, chamar Daniela Albuquerque de “cadela” ou afirmar que mulher feias que sofrem estupro deveriam comemorar são “piadas” fracas e de mau gosto. Talvez fossem motivadas pela pressão de estar ao vivo na TV, talvez pela falta de limites ou por “falha de caráter”, como dizem alguns. Fato é que, ao mesmo tempo em que foi infeliz com as declarações, Rafinha teve acertos em sua carreira que não devem ser esquecidos. Vencedor do prêmio APCA, o jornalístico “A Liga” é de boa qualidade e recentemente chamou atenção para grandes marcas que usam trabalho escravo, por exemplo. Ou seja: é plenamente possível fazer um programa que dê audiência sem apelar para o humor pejorativo. Falta que Rafinha encontre o equilíbrio.

A coluna não tenta com isso relativizar o mau gosto do humorista em  suas últimas polêmicas. Mas pensem no perfil de um programa como o “CQC”: algum dos apresentadores da bancada estaria de fato imune a esse tipo de situação? Rafinha volta ao programa na próxima semana, numa reportagem sobre o Dia das Crianças. Certamente será o responsável por um dos picos de audiência da atração. Aos que dizem que isso vai acabar em pizza: não sejamos bobos. Ainda que preocupada com a repercussão do caso, a Band vai capitalizar em cima disso, em audiência. Isso se os anunciantes quiserem que suas marcas sigam aliadas à atração. No final das contas, os erros do humorista podem acabar servindo à emissora. Vamos combinar, nos últimos tempos o “CQC” andava morno e a audiência não mostrou grandes picos. Estava no feijão com arroz. Vamos ver quanto tempo dura até a próxima bomba.

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