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domingo, 11 de março de 2012 Entrevista | 10:00

Ana Lúcia Torre: 'Toda mãe tem pânico de perder o filho'

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Ana Lúcia Torre: "Peruca não é algo cômodo"

Acostumados com a emblemática e espoleta Tia Neném, de “Insensato Coração”, os espectadores de “Amor Eterno Amor” estão vendo uma Ana Lúcia Torre totalmente diferente de sua personagem anterior. Consagrada nos palcos, a atriz dá vida à doce Verbena na novela escrita por Elisabeth Jhin. Na trama, a mulher bondosa morrerá por volta do capítulo 23, antes de encontrar o filho tão procurado, interpretado por Gabriel Braga Nunes. Isso não significa, no entanto, que a veremos por pouco tempo. Mesmo depois da morte, a personagem continuará na história na forma de um espírito que acompanhará todos os passos do filho e fará de tudo para que ele não sofra nas mãos da maldosa Melissa (Cássia Kiss Magro). A maternidade, aliás, é um tema que ela explora também no teatro, com o espetáculo “Como Se Tornar uma Supermãe Em 10 Lições”, atualmente em cartaz no Teatro Gazeta, em São Paulo. Espectadora assídua das novelas assinadas por Elisabeth Jhin e seguidora da doutrina espírita há anos, Ana Lúcia conversou com a coluna.

IG: Se considera uma pessoa muito espiritualizada? Já tinha alguma afinidade com os assuntos abordados na novela?
ANA LÚCIA TORRE: Minha família toda é espírita. Já lida bem com o tema e para mim foi maravilhoso, por que pude tratar de uma forma muito carinhosa. Esse assunto me é muito caro.

IG: Já havia assistido as novelas escritas pela Elisabeth Jhin?
ANA LÚCIA TORRE: Sim, todas. Eu gosto muito, claro, tem vezes que a gente está trabalhando e não dá para ver, mas tentava assistir sempre que podia a todas. Mas, apesar de gostar muito, nunca havia feito uma novela escrita pela Elisabeth Jhin e o texto é muito bom de se falar. É coloquial, bem escrito, emocionante e, acima de tudo, é simples, muito gostoso de dizer.

IG: Teve de viajar a lugares remotos para gravar?
ANA LÚCIA TORRE: Não cheguei a ir ao Norte do país para gravar porque a maior parte das cenas a minha personagem está em casa. Mas cheguei a ir para Minas Gerais, numa sequência em que a Verbena tenta encontrar o filho.

IG: Como tem sido essa troca de visual? Você tem cabelos ruivos, mas na novela aparece de cabelos brancos. Estranhou ter de usar peruca?
ANA LÚCIA TORRE: Já no final do primeiro capítulo fiquei com os cabelos brancos por causa de uma passagem de tempo. Não estranhei me ver com os cabelos brancos, mas peruca não é uma coisa cômoda, preciso confessar. Principalmente quando você fica com ela oito ou nove horas seguidas. É ruim, pinica tudo, fico um pouco desesperada. (risos). A Cássia Kiss, como eu troca perucas, mas é um sofrimento conjunto. Não conversamos sobre as perucas, claro, falamos sobre as cenas. Mas é ruim, porque fica tudo coladinho. Mas vale a pena, o resultado ficou muito bom.

IG: Vai ter de lidar com efeitos especiais depois que sua personagem virar um espírito na novela?
ANA LÚCIA TORRE: Não tenho ideia ainda, mas acho que não. Acho que deve ser um trabalho na pós-produção. Na hora de gravar acho que vai ser do mesmo jeito que a personagem estivesse viva.

IG: Considera alguma novela espírita mais marcante?
ANA LÚCIA TORRE: Eu não assisti “A Viagem”, mas todo mundo me fala que foi uma das coisas mais bonitas que aconteceu, então não posso falar muito dela. Mas com temática espírita vi todas as da Elisabeth Jhin.

IG: O Brasil é um país em sua maioria católico, mas convive muito bem com outras religiões, que têm crescido consideravelmente. Por que acha que somos tão abertos a outras doutrinas?
ANA LÚCIA TORRE: O Brasil é considerado um país católico talvez pela tradição de colonização portuguesa, dos jesuítas e do catolicismo, mas acho que assim como o Brasil recebeu todas as raças que vieram nos colonizar e depois nos desenvolver, também é aberto a todo tipo de religião. Com essa imigração forte cada povo veio com a sua religião. Isso fez com que tenhamos nos tornado um povo bastante aberto nesse aspecto.

IG: A Verbena parece uma personagem bem calma, totalmente diferente da Tia Neném de “Insensato Coração”. Acha que vai ter gente com saudade?
ANA LÚCIA TORRE: Não tem nem como comparar as duas. São totalmente diferentes mesmo! Mas a Verbena também é uma mulher muito forte. A palavra principal que pode caracterizar a Verbena é: coragem. É uma mulher corajosa, que vive em busca de um filho, e esse sentimento e essa fé fazem com que ela seja uma pessoa preparada para a vida apesar do sofrimento. Verbena não faz desse sofrimento uma tragédia, nem entra em depressão. Faz disso um movimento para encontrar esse filho. Espero que ela transmita esperança e força a quem assistir a novela.

IG: Passou por algum tipo de preparação específica para compor a Verbena?
ANA LÚCIA TORRE: Eu sou mãe. E uma coisa que passa pela cabeça de qualquer mãe o pânico de perder o filho de qualquer forma. Não importa se de morte ou rapto. Esse medo me ajudou a compor a personagem, além de tudo o que você lê no dia a dia de mães em busca dos filhos. Mãe é aquela que não desiste do filho, nunca.

IG: Você afirmou que nenhuma mãe quer perder o filho, mas o contrário também se aplica: nenhum filho quer perder a mãe. Já preparou os seus para verem a cena em que morrerá na novela? Mesmo sendo ficção, deve ser um momento difícil.
ANA LÚCIA TORRE: Mas é exatamente isso que estou tentando fazer e que Elisabeth Jhin escreveu tão bem. Ao longo dos vinte e dois capítulo em que minha personagem está viva, ela vai preparando todas as pessoas que estão ao redor dela para o momento que ela desencarnará. Tento mostrar a essas pessoas que não vou morrer. Só vou passar para outro plano, mas meu espírito continuará presente. Na minha intimidade, com meus filhos, digo o mesmo. Eu sou espírita. Falar sobre esse assunto nunca foi e nem será um problema.

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