Publicidade

terça-feira, 31 de julho de 2012 Em cena, Humor | 14:54

Rafinha Bastos, o fabricador de manchetes, detona 'CQC', 'Zorra Total', Marco Luque e a imprensa no 'Roda Viva'

Compartilhe: Twitter

Rafinha Bastos: "O 'CQC' virou um programa de bundão"

Rafinha Bastos esteve no centro do “Roda Viva” da última segunda-feira (30) para falar sobre os limites do humor, sua polêmica saída do “CQC” e o atual momento à frente do “Saturday Night Live”. Chama atenção que, assim como acontece em seu programa, o humorista parece saber exatamente o que repercute.

Em seu discurso, Rafinha diz que seu nome “rende cliques e gera dinheiro” para a imprensa e que a piada infame com Wanessa Camargo só repercutiu depois que jornalistas pegaram no seu pé, mas não deixar de provocar exatamente isso. Afinal, como esperar que um comediante dê declarações polêmicas num programa de prestígio na TV e elas passem batidas? Talvez ele encare como um experimento – afinal, confessou que, ao xingar jornalistas, queria ver até onde iriam, se publicariam tudo o que disse -, talvez seja de fato contraditório e não queira sair do noticiário. Ao leitor, cabe tirar as próprias conclusões.

Abaixo, algumas de suas declarações mais fortes:

Sobre a piada infame com Wanessa Camargo – “Uma das primeiras piadas que eu ouvi foi: ‘qual é o cúmulo da pontaria? Você come a mulher e acerta o bebê'”, falou. “Eu ouvi essa piada aos dez anos. Será que não tinham outros interesses por trás para acontecer tanta polêmica?”

Sobre a crise com a Band – “Os diretores da Bandeirantes são os caras com menor senso de humor do mundo. (…) Eu achava que teríamos de fazer humor como sempre fizemos, voltar e fazer sarro de tudo isso. O negócio da cantora virou uma bola de neve. Quando me sentei com a Band para falar do ocorrido, me disseram que eu tinha de pegar mais leve porque a força da minha pancada é muito mais forte agora. Eu respondi: ‘Não tenho controle sobre isso porque vão me assistir no teatro e logo depois contar que falo mal do Fábio Assunção ou da Marília Gabriela. Então, ou eu paro de trabalhar ou vocês me bancam como sempre fizeram. Se não deixarem eu ser o que sempre fui, eu não quero mais brincar’. Foi dito e feito.

Sobre o “CQC” atualmente – “Depois disso, o ‘CQC’ virou um programa de bundão. E não estou falando dos meus amigos. O ‘CQC’ não brinca mais como brincava”.

Sobre não pedir desculpas – “Naquele momento resolvi respeitar quem sou e fazer o que acho certo. Não me arrependo, nunca vou me arrepender de fazer uma coisa que eu achava que era correta. Eu escrevi um email para o marido dela. Disse: ‘Você está com raiva não é de mim, é por causa da repercussão, isso eu não controlo. Não queira que eu venha a público pedir desculpas por causa disso. Se eu tivesse pedido desculpas, nada disso teria acontecido, mas eu não estaria tranquilo pelo resto da vida. Pedi desculpas ao marido da cantora por email, queria que ele ficasse tranquilo enquanto pai. Ele nunca citou na imprensa que eu escrevi. Não fiz absolutamente nada de errado, não tinha de pedir desculpas em público”.

Sobre Danilo Gentili ter pedido desculpas – “O pedido de desculpas dele me assustou um pouco. Talvez tenha sido mais bem pensado. (…) Ele também não achava que aquilo era um programa, mas foi fazer uma coisa que provavelmente não acreditava naquele momento. Não posso julgar ele porque de repente aos olhos vistos, a decisão foi muito mais inteligente. Ganhou um talk show porque é talentoso. E porque pediu desculpas.”

Sobre Marco Luque e Marcelo Tas e outros comediantes – “No momento que aconteceu essa história toda não teve comediante que dissesse que estava errado e precisávamos lutar contra isso. Ninguém quis se expor nessa hora. No momento da piada, meus colegas de bancada riam. Agora, nem isso (terem criticado ele em público depois do episódio) me chateou. Não posso controlar a reação deles. Tenho carinho por eles, por todos com os quais eu trabalhei no ‘CQC’, mas foi equivocado. Durante três anos eu dividi camarim e bati nas costas deles dizendo que faria as piadas que eles tivessem medo. Marco Luque, que é um cara por quem eu tinha um carinho grande, ainda tenho, ele chegou para mim para pedir desculpas. Mas aí ele já tinha se desculpado com todo mundo antes. E aí eu falei: ‘Você não está preocupado em ser desculpado, você está preocupado em ser aceito. Você não está preocupado comigo’. Propus fazer um vídeo com ele pra jogarmos na internet eu metendo o pau em você. Nunca me ligou. Duas semanas depois ele estava fazendo propaganda da Claro.”

Sobre o “Zorra Total” e o roubo de piadas – “Piada tem dono. Existem coincidências e existem os safados. (…) Já vi milhões de comediantes que usam piada minha na internet, já vi piada minha no ‘Zorra Total’.”

Sobre o “Saturday Night Live” – “O formato americano não teria como dar certo. É muito precipitado dizer que não deu certo, porque ainda está em reformulação. (…) Não é o programa do Rafinha, apesar de ser às vezes vendido como se fosse. Eu ali sou mais produtor executivo do que parte do elenco. Trabalho com amigos de 10 anos ali. (…) Nossas primeiras esquetes ao vivo eram um desastre. Os brasileiros não valorizam muito o que é feito ao vivo. (…) O que aconteceu na Bandeirantes só não aconteceu na Rede TV! porque tem menos visibilidade. Porque ali já fizemos piadas piores que no ‘CQC’ ali.”

A participação de Rafinha Bastos no “Roda Viva” marcou média de 1,1 ponto, com pico de 1,6.

Siga-me no Twitter

Autor: Tags: , , ,