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quarta-feira, 26 de setembro de 2012 Crítica, Novela | 16:45

Por que a Globo não reprisa novelas antigas no 'Vale a Pena Ver de Novo'?

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Reynaldo Gianecchini e Taís Araújo em "Da Cor do Pecado": terceira exibição

Sempre que uma novela volta a ser exibida no “Vale a Pena Ver de Novo” surge a mesma questão: afinal, por que a Globo só reprisa folhetins recentes e deixa de lado clássicos dos anos 70 e 80? O mesmo ocorreu esta semana, como a re-estreia de “Da Cor do Pecado”, que ocupa o horário vespertino pela segunda vez. Apesar de ter sido um sucesso nas outras duas vezes em que foi transmitida, a trama escrita por João Emanuel Carneiro estreou com índices modestos: 12 pontos. A resposta para a questão está concentrada em uma série de fatores, que a coluna tenta esmiuçar a partir de agora.

- Classificação indicativa: Ponto de maior controvérsia atualmente, a classificação exige que a Globo só exiba novelas liberadas para todos os públicos. Ainda que com cortes, tramas como “Celebridade” e “Páginas da Vida” foram vetadas pelo Ministério da Justiça. Apesar de reprisada recentemente, hoje, uma novela como “Mulheres de Areia” não poderia ser exibida à tarde. A Globo precisa, então, escolher para a faixa apenas os folhetins que foram ao ar às 18h e às 19h. Novela das nove, nem pensar. Uma história como “Salomé”, exibida no horário das seis, em 1991, por exemplo, está totalmente fora de cogitação. Nos anos 80 e 90 não havia tanto patrulhamento ideológico e as tramas não eram tão afetadas pelo politicamente correto. Resta, portanto, apelas às recentes.

- Avanços tecnológicos: Parte das histórias contadas nas novelas se apoia – e muito – na tecnologia disponível na época em que é gravada. Há quem considere estranho, por exemplo, ver uma novela “contemporânea” (excluindo as de época, claro) sem que os personagens usem celular ou computadores. Mudaram também os hábitos de consumo. Nos anos 80 era possível ver personagens fumando, o que é totalmente proibido hoje.

- Medição de audiência: A medição de audiência como é conhecida hoje só passou a ser feita no final dos anos 80. Antes, os números poderiam demorar semanas para serem consolidados. Como a televisão é um veículo de resposta imediata, os executivos tendem a escolher os folhetins que despertaram maiores números na história recente. Afinal, muitos hábitos de comportamento do espectador mudaram dos anos 70 e 80 para cá.

- Rostos conhecidos: Parte do apelo de uma telenovela reside em seus protagonistas, que precisam cativar o público. A emissora tende a achar que o espectador – especialmente o mais jovem – está mais predisposto a rever uma novela estrelada por atores que estão na ativa ainda hoje. Parte dos galãs e mocinhas das décadas passadas se aposentou, por exemplo. Em tese, não teriam o mesmo apelo para a atual geração que Reynaldo Gianecchini ou Cauã Reymond, por exemplo. Há quem discorde disso, claro.

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