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segunda-feira, 1 de outubro de 2012 Entrevista, Novela | 10:03

Silvio de Abreu, autor de 'Guerra dos Sexos': 'Vai ser difícil estrear depois de Cheias de Charme'

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Silvio de Abreu, sobre Ibope: "Não tenho bola de cristal"

Depois da intensa “Passione”, exibida há dois anos às 21h, Silvio de Abreu volta ao horário das 19h com uma releitura de sua novela mais icônica. “Guerra dos Sexos” estreia nesta segunda-feira (1), na Globo, com o desafio de manter a audiência e repercussão de “Cheias de Charme” e de atualizar uma história entranhada no inconsciente coletivo de quem viveu os anos 80. O autor conversou com a coluna e fez uma revelação: a esperada cena do café da manhã em que os protagonistas fazem guerra de comida deve ir ao ar entre o nono e o décimo capítulo. Anote na agenda! Acompanhe a conversa a seguir.

IG: Como surgiu a ideia de refazer a novela?
SILVIO DE ABREU: Inicialmente, a Globo queria que a transformássemos num filme. Cheguei a rever ela inteira para isso, mas o projeto acabou não indo para a frente. Imediatamente achei que seria um bom momento para levá-la ao ar de novo. Nem lembrava de tudo o que escrevi, muita coisa só me veio quando assisti tudo de novo.

IG: Acha que a ideia de repetir a história funcionará nos tempos atuais?
SILVIO DE ABREU: Não se trata disso. O mundo, a maneira de falar, a maneira como homens e mulheres se relacionam, tudo mudou. Não é a mesma história. Eu reescrevi tudo, aproveitando as “gags” da história exibida em 1983. Os diálogos, por exemplo, foram todos refeitos, assim como poderei desenvolver alguns personagens. O Fábio (Paulo Rocha na versão atual, Herson Capri na anterior) na época não teve seu romance com a Juliana (Mariana Ximenes agora, Maitê Proença antes) porque a censura não deixou.

IG: Você chegou a dizer que não se tratava de um remake.
SILVIO DE ABREU: Não mesmo. É uma história nova. A novela começa com a morte dos Charlô (Fernanda Montenegro) e Bimbo (Paulo Autran) originais. Eles deixam tudo para os sobrinhos Charlô II (Irene Ravache) e Bimbo II (Tony Ramos), chamados também de Cumbuqueta e Bimbinho. Ou seja: não são os mesmos personagens. Os originais só aparecerão por meio de flashbacks. O único elo de ligação entre as histórias é Olívia (Marilu Bueno), que foi empregada das duas famílias e é interpretada pela mesma atriz.

IG: A novela contará com nomes como Jesus Luz; Antônia Moraes, filha de Gloria Pires; e também a ex-BBB Thalita Lippi, que já havia atuado em “Caminho das Índias”. Como chegou a eles?
SILVIO DE ABREU: Por meio de teste. Muita gente fala do Jesus Luz, mas é claro que eu não seria louco de colocá-lo na minha novela se ele não fosse bom. Ele fez teste com vários outros e foi aprovado. Resolvemos chamá-lo depois que o vimos no “Programa do Jô” dizendo que queria atuar. Ele será Ronaldo, papel que foi do Paulo César Grande, em 1983, e deve aparecer a partir do capítulo 30. E sabemos que o público vai ter curiosidade em vê-lo na novela. A Gloria só soube que a Antônia fez teste para a novela depois que já tinha acontecido. Ela entrará no capítulo 80. Assim como os outros, a Thalita também fez teste e se saiu muito bem. É talentosa.

IG: Uma história de briga entre homens e mulheres fará sucesso nos tempos de hoje?
SILVIO DE ABREU: Sei que estou correndo um risco grande ao mexer com um mito, que é como a primeira versão tem sido tratada. Para mim, audiência é indiferente, mas sei que hoje é muito mais difícil ficar na casa dos 30, 40 pontos, dependendo do horário. Além disso, estrear depois de “Cheias de Charme” é difícil, porque a novela é excelente, mas completamente diferente de “Guerra dos Sexos”, no sentido de que aborda um lado mais popular. Na nossa trama não tem favela, samba, capoeira. É tudo mais luxuoso, porque o principal cenário é a loja que os protagonistas disputam. Eles moram num castelo. Isso só aumenta a responsabilidade. Mas não tenho bola de cristal.

IG: Acha que esperam muitas cenas de comédia pastelão?
SILVIO DE ABREU: Engraçado, muita gente acha que a trama é feita disso, mas “Guerra dos Sexos” não é uma novela pastelão. Tanto que, ao longo de toda a história, só haverá três cenas do gênero. Uma no primeiro capítulo, quando Roberta (Gloria Pires) joga uma torta na cara do Felipe (Edson Celulari); a segunda entre o nono e o décimo capítulos, quando ocorre a sequência do café da manhã entre Charlô e Bimbo; e uma no último capítulo, que é segredo. Me inspiro muito num gênero chamado “screwball comedy”, muito usado em filmes antigamente.

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