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quinta-feira, 22 de novembro de 2012 Crítica, Novela | 08:00

'Salve Jorge' acerta na protagonista feminina, mas erra ao tornar mocinho um bobo

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Morena (Nanda Costa) e Theo (Rodrigo Lombardi): ele não é o cara

Antes mesmo de estrear, houve quem questionasse o fato de a Globo apostar em Nanda Costa como protagonista de “Salve Jorge”, como se o fato de ela ter poucas novelas no currículo servisse de avaliação para seu talento. Com experiência no cinema, a atriz ganhou prêmios por trabalhos fortes como “Sonhos de Roubados”, de Sandra Werneck, e “Febre do Rato”, de Claudio Assis. Mesmo após a estreia, houve quem torcesse o nariz, reparando em detalhes como figurino, cabelo ou sotaque. Para o azar desses, passados cerca de 30 capítulos da trama, há que se afirmar: Nanda foi uma escolha acertada.

Ela confere a Morena um vigor e espontaneidade interessantes e emula o espírito dos subúrbios cariocas. Impulsiva, não deixa de se envolver em confusões e não rejeita a pecha de barraqueira. Apesar de ter sido mãe jovem, tenta sustentar o filho e ajudar a mãe com dignidade, uma realidade com a qual muitas meninas podem se identificar. Passa longe do conceito clássico das mocinhas das novelas de antigamente ao mesmo tempo em que se afasta de personagens emblemáticas – mas frias e calculistas – como Nina, de “Avenida Brasil”. Normalmente, as protagonistas valentonas estão em comédias, por isso podem causar certo estranhamento os modos de Morena. Ainda assim, não há que se culpar a atriz pelo fato de a audiência da trama não ter deslanchado ainda.

É normal que o público demore a se acostumar com novelas que sucedem grandes hits, como foi o caso do folhetim de João Emanuel Carneiro. Na história recente, novelas como “A Favorita” também demoraram a engrenar em seus primeiros meses, mas terminaram como grandes sucessos. No caso de “Salve Jorge”, no entanto, um questionamento há de ser feito: não seria o caso de o interesse romântico de Morena ser tão complexo quanto ela? Vivido por Rodrigo Lombardi, Theo é um poço de candura. É gentil com todos, não confronta os rivais de maneira intensa, se deixa manipular por Érica (Flávia Alessandra) e não percebe que a mãe (Suzana Faini) maltrata sua noiva. E pior: com cerca de 30 anos, o militar ainda não saiu da casa materna e ainda obrigou a namorada a viver lá. Não há defeito ou intensidade em Theo. E a perfeição é tediosa. Se o problema está na gênese do personagem ou na interpretação do ator é outro caso, mas vale lembrar que em “Caminho das Índias” Lombardi seduzia com um olhar, uma mexida de pescoço. Theo não tem o carisma que Raj esbanjava. Ao contrário do que diz a canção de Roberto Carlos, ele não é o cara.

Em tempo: nos bastidores da novela, a expectativa é para que os números de audiência subam a partir do momento em que Morena for traficada para a Turquia, no próximo dia 4 de dezembro. Dessa maneira, a trama principal da novela ganharia mais espaço. Até agora, as cenas do Complexo do Alemão são bem mais interessantes que as ambientadas no exterior. O tempo dirá.

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