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sábado, 27 de abril de 2013 Briga pela audiência, Crítica, Novela | 00:04

'Guerra dos Sexos': Novela termina com menor audiência de seu horário e mostra que o exagero nem sempre é o caminho

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Irene Ravache e Tony Ramos, os protagonistas da novela das sete

Assim como sua versão original, “Guerra dos Sexos” deve entrar para a história da teledramaturgia brasileira, mas por motivos totalmente diferentes. Enquanto a trama de 1983 inovou no escracho, elevou a audiência e discutiu um tema pertinente a sua época, o remake da história de Silvio de Abreu passou a liderar a lista das novelas com menor número de espectadores segundo a medição do Ibope. Afinal, o que poderia dar errado na revitalização de uma história presente até hoje no imaginário do público? Parecia jogo ganho antes mesmo da estreia. Entretanto, o folhetim, que exibiu o último capítulo nesta sexta-feira (26), tirou de “Tempos Modernos” o título de menor audiência da história do horário das sete e obteve média de 27 pontos em seu desfecho, com pico de 30. Na média geral, que contabiliza do primeiro ao último episódio, foram cerca de 23 pontos.

O fato de “Guerra dos Sexos” não ter repetido o sucesso dos anos 80 pode ser explicado a partir de duas hipóteses. Uma delas aponta para uma expressão chamada “zeitgeist”, que, em tradução livre, significa “espírito do tempo”. Há mais de 20 anos, era comum o debate sobre as mulheres ganhando espaço no mercado de trabalho e ameaçando o posto dos homens. Hoje, em pleno século 21, esta discussão parece ultrapassada. Os espectadores podem ter achado, portanto, que estavam vendo algo completamente fora de sintonia com a era em que vivem.

Outra explicação pode residir nas fortes cores e influências usadas pelo autor, Silvio de Abreu, para contar sua história. Fã assumido da era de ouro do cinema americano e de musicais da Broadway, o dramaturgo permeou a trama com influências “importadas” e claros toques que remetem ao “screwball comedy”. Infelizmente, em tempos de informação rápida e com vida útil cada vez mais fugaz, nem todo mundo tem essa memória afetiva. Nesse sentido, se comparada ao exagero de sua antecessora, “Cheias de Charme”, a novela pecou pela falta de tempero brasileiro – não que não houvesse, que fique claro: mas houve menor apelo popular.

Depois de um começo dificil, em que o tom de interpretação de parte do elenco beirava a caricatura, é preciso dizer que a trama fez os ajustes necessários. Apesar de desfavorecida por um tema batido, a novela mostrou fôlego nos últimos meses e teve uma reta final divertida. Muitos dos finais, é preciso dizer, repetiram o original – caso do mistério do bigode de Tony Ramos -, mas o suspense em torno do triângulo amoroso entre Nando (Reynaldo Gianecchini), Roberta (Gloria Pires) e Juliana (Mariana Ximenes) conseguiu prender a atenção. É preciso também destacar a atuação de Bianca Bin, Luana Piovani e Drica Moraes, que roubaram a cena a cada aparição. Novos nomes como Mariana Amellini, Johnny Massaro, Antônia Moraes e Thalita Lippi também mostraram firmeza. Tony Ramos, Irene Ravache e Marilu Bueno dispensam comentários.

Silvio de Abreu é um excelente autor. Já nos deu tramas inesquecíveis como “A Próxima Vítima” e “Rainha da Sucata”. Não repetiu o sucesso com o remake de “Guerra dos Sexos”, mas isso não é motivo para desacreditar seus próximos trabalhos.

Compare as audiências dos últimos capítulos das novelas do horário das sete:

Guerra dos Sexos – 27 pontos
Cheias de Charme –  32 pontos
Aquele Beijo – 30 pontos
Morde & Assopra – 36 pontos
Ti Ti Ti – 36 pontos
Tempos Modernos – 33 pontos
Caras & Bocas – 41 pontos
Três Irmãs – 25 pontos
Beleza Pura – 33 pontos
Sete Pecados – 39 pontos
Pé na Jaca – 33 pontos

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