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quarta-feira, 15 de maio de 2013 Crítica, Novela | 21:53

'Salve Jorge' e a técnica do flashback mentiroso

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Maria Vanúbia (Roberta Rodrigues) na cena imaginária de "Salve Jorge"

Ao lançar “Rashomon”, em 1950, Akira Kurosawa inaugurou uma técnica inovadora no cinema. Por meio de três narradores, retratou a mesma história sem dar pistas de qual seria a verdadeira. A seu modo, “Salve Jorge” parece tentar fazer sua versão da estratégia narrativa. Nas últimas semanas, a trama tem recorrido a um artifício incomum: ao mostrar um personagem contando uma história, a produção exibe cenas de flashback. Até aí, nada demais, não fosse por um detalhe: os fatos retratados nestas sequências nunca ocorreram.

Por exemplo: ao reencontrar Russo (Adriano Garib), Morena (Nanda Costa) diz que resolveu voltar para a Turquia e se prostituir depois de encontrar um homem rico. Enquanto mentia para o vilão, surgiram na tela imagens de um cinquentão acariciando a perna da mocinha, que flertava com ele numa boate. Há pouco mais de uma semana, ao tentar se livrar da culpa por comprar Aisha (Dani Morena) por meio de uma negociata de Wanda (Totia Meirelles), Berna (Zezé Polessa) afirmou que só recebeu a criança no quarto de hotel. Logo, cortou para uma cena da vilã entregando um bebê à turca. Minutos depois, ficou claro que tratava-se de uma mentira.

Veja tudo o que acontecerá no último capítulo de “Salve Jorge”

No capítulo desta quarta-feira (15), Maria Vanúbia (Roberta Rodrigues) mentiu que fez shows em Istambul e foi aclamada pela multidão. Dito e feito: entrou no ar uma sequência da carioca fazendo show de funk. Tudo normal, exceto pelo fato de que tal apresentação não ocorreu. Não cabe questionar o uso do flashback, recurso comum em folhetins. Há que se perguntar, no entanto, qual a necessidade de ilustrar uma mentira. Afinal, para o espectador está absolutamente claro que se trata de uma inverdade. Pode-se alegar que o artifício acrescenta irreverência ao projetar o que se passa na mente da personagem, mas tal argumento vai por água abaixo se considerar que foi usado em momentos de absoluta seriedade. “Salve Jorge” pode até ter usado do tal “efeito Rashomon”, mas o resultado passou longe do original.

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