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terça-feira, 24 de maio de 2016 Crítica, Novela | 07:00

“Velho Chico” vai do encanto ao desinteresse em pouco mais de 2 meses

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Tereza (Camila Pitanga ) e Santo (Domingos Montagner), um dos casais lentos da trama (Fotos: Divulgação/Globo)

Tereza e Santo, um dos casais lentos da trama (Fotos: Divulgação/Globo)

“Velho Chico” começou enchendo os olhos do telespectador no dia 14 de março, com esmero no figurino, fotografia, iluminação e cenografia. O espetáculo visual e as cenas contemplativas obrigavam o telespectador a parar e olhar para a TV – algo raro na era dos smartphones. A novela abriu espaço para jovens e veteranos atores mostrarem seu talento, trazendo belas interpretações. Pouco mais de dois meses depois, no entanto, a história de Benedito Ruy Barbosa parece cansada e cada dia mais desinteressante.

Camila Pitanga brilha e Fagundes se repete na nova fase de “Velho Chico”

Christiane Torloni e Juan Alba fazem cenas musicais

Christiane Torloni e Juan Alba fazem cenas musicais em vários capítulos

Coincidência ou não, após a saída da autora Edmara Barbosa por desentendimentos com o pai – mesmo debilitado, Benedito assumiu a autoria com o neto, Bruno Luperi  a trama está menos contemplativa e mais verborrágica. Alguns capítulos são recheados de cenas musicais, dando um ar de episódio da série “Glee” (sem a agilidade das performances, claro).  Iolanda (Christiane Torloni) cantando e dançando enquanto Amadeu (Juan Alba) toca há muito está repetitivo.

Atores ganham espaço e brilham

Na tentativa de agilizar a narrativa, a contemplação vem sendo deixada de lado mas, em troca, nada relevante acontece. Isso afugenta tanto quem em um primeiro momento foi atraído pela beleza visual quanto quem espera ver uma boa história. O cuidado do diretor Luiz Fernando Carvalho ainda é visível em algumas cenas, porém dá a impressão de ter perdido espaço.

“Velho Chico” deve penar para conquistar o público

Equívocos

Existem outros problemas menores: o tom que Antônio Fagundes deu a seu coronel Afrânio (uma mistura de Bruno Mezenga de “O Rei do Gado” com o caminhoneiro Pedro de “Carga Pesada”) é completamente diferente do personagem defendido por Rodrigo Santoro na primeira fase. Ah, o público tem memória curta e já nem lembra, alguém dirá. Não é bem assim.

velho chico antônio FagundesNovela obrigava o telespectador a olhar para a TV

Além de destoante, essa composição de Fagundes não causa empatia. Vê-lo ao lado de Torloni novamente dá a impressão, para noveleiros que se apaixonaram pelo casal de “A Viagem”, de observar Otávio Jordão e Dinah em uma vida paralela. Muitos criticam também a peruca e o figurino colorido do personagem mas, acredite, isso é o de menos perto de tantos ruídos.

A crítica política (marca forte de “O Rei do Gado” com a reforma agrária em ebulição) prometia dar o tom pela não transposição do rio São Francisco, porém é tímida e pontual, talvez por conveniência do momento que o país atravessa.

O romance de Bento (Irandhir Santos ) e Beatriz ( Dira Paes) está longe de empolgar

O romance de Bento (Irandhir Santos ) e Beatriz ( Dira Paes) está longe de empolgar

Faltam dois temperos também: humor e romance. A história de amor entre Tereza (Camila Pitanga) e Santo (Domingos Montagner), por exemplo, não se desenrola. A do vereador Bento (Irandhir Santos) com a professora Beatriz (Dira Paes) também caminha a passos lentos. Os dois ingredientes têm bastante influência no sucesso de “Totalmente Demais”: constantemente a novela das 19h30 dá mais audiência que “Velho Chico”.

Destaques

Em meio a tudo isso, alguns atores se reencontraram com bons papéis. É o caso, por exemplo, de Marcos Palmeira, que vinha do fracasso “Babilônia”; Selma Egrei, desde a primeira fase mantendo o brilho da centenária Encarnação; e José Dumont que, na pele de Zé Pirangueiro, sabe emocionar quando preciso.

Filho de Shaolin, Lucas Veloso se destaca

Filho de Shaolin, Lucas Veloso se destaca

Gabriel Leone, em seu terceiro trabalho na TV (fez “Malhação” e “Verdades Secretas”) tem conseguido bom espaço; Lucas Veloso, filho do humorista Shaolin, mostrou-se uma grata surpresa – dia desses, imitou Silvio Santos em plena cena da trama.

“Velho Chico” está prevista para terminar só em outubro. Para onde irá caminhar ou como vai sustentar o interesse do público até lá ainda é uma incógnita. O tempo dirá se tinha mesmo fôlego para ser uma novela longa ou se deveria ter sido produzida mais curta, como o remake de “Meu Pedacinho de Chão”, do mesmo autor (que às 18h em 2014 teve 96 capítulos) ou as tramas das 23h.

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