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sábado, 17 de dezembro de 2016 Entrevista, Reality show | 08:30

Danielle Dahoui supera críticas no “Hell’s Kitchen” e comemora: ‘Mandei muito bem’

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Chef da quarta temporada do Hell’s Kitchen”, que termina neste sábado (17), Danielle Dahoui conta que quer continuar na TV: “Virou um vício, adorei”

hell's kitchen danielle dahoui

 

Danielle Dahoui assumiu um desafio em setembro deste ano: sem experiência em televisão, a chef de cozinha aceitou ser a nova apresentadora do “Hell’s Kitchen – Cozinha Sob Pressão”, ocupando o lugar que foi de Carlos Bertolazzi durante três temporadas. Ela avalia como se saiu na função, conta que conseguiu reverter as críticas e que pegou gosto pelas câmeras.

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Leia o bate-papo exclusivo com Danielle Dahoui, do “Hell’s Kitchen“:

Na TV: Qual balanço você faz do programa?
Danielle Dahoui: O ‘Hell’s Kitchen’ tem um formato muito rígido, quadrado, feito sempre por homens machões, bravos, zangados, que maltratam e humilham seus colaboradores, como acontece em muitas cozinhas mundo afora, inclusive no Brasil. Esse é um formato que não funciona com o brasileiro, ele detesta ver as pessoas sendo maltratadas, e eu também. O SBT foi muito corajoso em inovar dessa forma. Eles me convidaram para ser exatamente quem eu sou nas minhas cozinhas. O programa é um sucesso absoluto por ter sido vanguardista, corajoso, por inovar e está em segundo lugar, perdendo só para a Globo, tendo uma aceitação esmagadora de público e críticos… Foi demais!

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Hell's Kitchen danielle dahouiE como é a chef que as câmeras não mostram?
Eu acredito que você tem que pegar uma pessoa que não sabe nada e ensinar com carinho, paciência, compaixão, investir em cursos, escola,seguro saúde, dentário, carinho, bom salário… E não colocar para trabalhar mais de oito horas por dia nem fazer jornada dupla. Criar um mundo melhor dentro da sua cozinha reflete na vida, na casa e na família da pessoa. Foi exatamente o que a gente fez. Claro que tem momentos de tensão, porque qualquer cozinha profissional precisa atender os clientes, são vários pratos feitos de forma diferente. É todo mundo falando alto, é barulho, faca, é punk! Rola o trabalho tenso, bronca, mas termina bem, depois todos vão para casa ou param para tomar uma cervejinha. Afinal, estão todos no mesmo barco, remando na mesma direção e querendo a mesma coisa: satisfazer os clientes, ser feliz e trabalhar em um lugar que te dê aquela sensação de sucesso.

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Qual era o momento mais difícil para você?
Desde o começo o mais difícil para mim sem dúvida nenhuma foi eliminar as pessoas, ter de mandar embora por um erro, como se todos nós não errássemos. Quando a gente erra, a gente se reavalia e procura melhorar, fazer de uma forma diferente. O primeiro programa foi muito difícil porque tive que provar o prato e mandar duas pessoas embora sem nem terem pego seu dólmã. Voltei para casa chorando, conversei com a minha mãe, disse que não tinha nascido para isso, que esse programa não tinha nada a ver comigo e não queria mais. Ela me deu um remédio para dormir e no dia seguinte todo mundo me explicava que fazia parte do jogo.
E como fez para continuar?
O Paulo Belém, que cuida do casting, resolveu me levar para ver as pessoas que eu tinha mandado embora e elas estavam ótimas, me agradeceram pela oportunidade de aparecer pelo menos um dia. Aquilo me acalmou um pouco, comecei a entender. Mas sempre nos dias de mandar alguém embora voltei para casa chorando. Assim que acabava a gravação me trocava, o produtor me pegava, colocava no carro com motorista, eu chorava,  tomava um banho e dormia para me refazer para o dia seguinte. Muitas pessoas disseram: ‘mas você nem conhecia as pessoas, como pôde se apegar tanto?’ Você não precisa conhecer uma pessoa para saber que ela tem os mesmos desejos e sonhos que você, basta olhar no olho. Então dói, dói sempre.

 

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Chegou a ter dúvida quando recebeu o convite?
De cara não aceitei, pensei: ‘nada a ver maltratar os outros, aquela baixaria, gritar! Não é comigo’. Eles me explicaram que queriam inovar e disseram que eu seria a primeira chef mulher do mundo a apresentar um programa como esse. Não quis nem saber quanto ia ganhar, quanto tempo ia trabalhar, aceitei na hora porque é bacana mostrar que a mulher pode não ter a força física do homem, mas tem uma força emocional muito grande, persistência, prazer de fazer o bem ao próximo, esse lado maternal, e tudo isso a faz poder chefiar qualquer lugar.

De forma avalia seu desempenho como apresentadora?
Acho que eu mandei muito bem, cara, porque eu não tinha experiência nenhuma em TV. Fui contratada 15 dias antes da gravação, tive muito pouco preparo, só alguns coachings e o tempo de  trabalhar em cima de roteiro, cenário, figurino e me jogar. Disseram: ‘vai abrir essa porta, o texto é esse, se solta, faz do seu jeito e cuida do restaurante’. Peguei aqueles 20 participantes, olhei como 20 colaboradores e mandei ver, fiz o que venho fazendo nos últimos 21 anos nos meus restaurantes e nas nove consultorias que dei para outras pessoas. Acho que foi um sucesso.

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Acompanhou a repercussão do programa nas redes sociais?

“Nunca fui muito de olhar rede social, só tinha Instagram e Facebook com amigos. No começo foi meio assustador pois tive um rejeição maciça, ninguém queria (ela como apresentadora). Mas foi muito tesudo ver a transformação daquelas pessoas que me xingavam e não me queriam dizerem ‘desculpa, você me conquistou’, ‘que jeito diferente de fazer’, ‘hoje assisto com a família inteira’. Recebo críticas ferrenhas, mas gosto também porque me instiga, me faz repensar e rever tudo. Estou gostando muito.

Qual mensagem consegue passar no programa?

É muito legal espalhar essa corrente do amor e mostrar que o chef de cozinha ou de qualquer empresa tem que gerir pensando no todo, onde todos tem que ser felizes e sair ganhando, onde você tem de ser respeitado e admirado, e não temido.

Como ficou sua rotina durante as gravações?
Eu nunca tinha feito TV e queria aprender sobre absolutamente tudo. Então mergulhei de cabeça, acordava 6h, passava o dia inteiro na gravação, voltava de noite, tomava banho, curtia minha filha (Noah, de seu casamento com o ex-jogador Raí), um filminho e cama. Não saí, não vi ninguém, fiquei focada no trabalho 100%. Por 45 dias eu praticamente parei de trabalhar nos (restaurantes) Ruellas fisicamente, cuidava deles pelo Whatsapp e pelas câmeras, só quando tinha algo muito sério eu marcava um café da manhã na minha casa para conversar com o gerente ou colaborador que estivesse fazendo alguma coisa errada. Minha sócia assumiu e cuidou de tudo.
Quais os planos após o fim do programa e para 2017?
A TV virou um vício, adorei. Dizem que tem um mosquitinho que pica, ele me picou inteira! Eu simplesmente me apaixonei e vou continuar fazendo  programas de TV, além de cuidar dos meus restaurantes que estão bombando, dar aula no terceiro setor e fazer palestras. E principalmente cuidar da minha filha, que é a coisa mais importante do mundo para mim.  Desde que ela nasceu diminui meu ritmo, mudei de casa, de carro, de tudo e resolvi ganhar menos para ter tempo de curtir a minha filha,  porque ela tem 11 anos e daqui a pouco vai para o mundo. Enquanto eu sou a pessoa mais importante para ela, ela é a mais importante para mim.
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