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Posts com a Tag crítica

quinta-feira, 4 de agosto de 2016 Crítica, Programa | 19:00

“Chapa Quente” termina sem deixar saudade

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Ingrid Guimarães viveu Marlene em "Chapa Quente" (Fotos: Divulgação/Globo)

Ingrid Guimarães viveu Marlene em “Chapa Quente” (Fotos: Divulgação/Globo)

“Chapa Quente” terá seu último episódio exibido na noite desta quinta-feira (4). A série protagonizada por Ingrid Guimarães e Leandro Hassum se despede em sua segunda temporada sem deixar saudade.

+ “A audiência salvou a gente”, diz Paulinho Serra

Marlene (Ingrid Guimarães), Deputado (Marcos Caruso) e Fran ( Tiago Abravanel)

Ingrid Guimarães, Marcos Caruso e Tiago Abravanel

A atração ocupou o horário que foi  de “A Grande Família”, durante 14 anos. A ambientação suburbana em São Gonçalo (município do RJ) acabou provocando a impressão de ser um grande rascunho mal acabado da antecessora, com personagens muito pouco cativantes. E, para gostar de “Chapa Quente”, é necessário ser cativado e embarcar na história.

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Veja bem, o roteiro de “Chapa Quente” não é ruim – para quem gosta e acompanha, as coisas acontecem e se resolvem, a trama flui. E o problema não é o subúrbio, que já tanto agradou em novelas e na própria “Grande Família”. O erro parece ter sido na concepção: falta algo que conquiste e te faça esperar pelo próximo episódio. As idas e vindas de Marlene (Ingrid Guimarães) e Genésio (Leandro Hassum) não são suficientes para segurar o interesse do grande público.

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No ano passado, muita gente reclamava nas redes sociais de ter de esperar “Chapa Quente” terminar para assistir à novela “Verdades Secretas” – como quinta-feira era dia de propaganda eleitoral gratuita, a história chegou a ser empurrada para 23h40, e aguentar “Chapa Quente” antes era um sofrimento. Mas o elenco reconhece que isso deu sobrevida ao seriado.

Paulinho Serra falou sobre a 2ª temporada

Paulinho Serra, o Marreta, falou sobre a 2ª temporada

O próprio Paulinho Serra, que interpreta o Marreta, contou isso no início do ano com exclusividade à coluna: “Era prevista uma segunda temporada de Chapa Quente, mas precisávamos de aprovação da alta cúpula da Globo. Os números de audiência foram muito bons no último mês de exibição, fomos o segundo programa mais assistido da emissora. Não existia a intenção de continuar, mas esses números permitiram isso. A audiência salvou a gente”, revelou.

Vários ajustes foram feitos da primeira para a segunda temporada de “Chapa Quente”, entre eles na abertura, que ficou menos medonha e ganhou “Tombei”, de Carol Conká, como tema – a cantora participa do último episódio. Personagens novos entraram, como o deputado Moacir (Marcos Caruso). Como as chances de uma terceira temporada são praticamente nulas, o elenco está liberado para novelas e outros trabalhos.

 

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segunda-feira, 1 de agosto de 2016 Crítica, Estreia | 15:40

“Fofocando” estreia ágil, mas ainda não convence a mudar de canal

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Programa estreia com Homem do Saco na bancada (Fotos: Reprodução/SBT)

Programa estreia com Homem do Saco na bancada (Fotos: Reprodução/SBT)

Leão Lobo e Mamma Bruschetta estrearam nesta segunda-feira (1) o “Fofocando” no SBT. Ágil e sem comerciais, o programa ao vivo focou bastante na vida de globais, no que é publicado em sites de celebridades e aproveitou o elenco do SBT. Mas falta graça e apelo (no bom sentido) para fazer quem assiste ao “Video Show” e ao quadro “A Hora da Venenosa”, na Record, mudar de canal.

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quinta-feira, 30 de junho de 2016 Crítica, Programa | 07:00

Com emoção e entrevistas bombásticas, Gugu vive seu melhor momento na Record

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Gugu Liberato: mais uma vitória

Gugu Liberato parece ter encontrado a fórmula de sucesso para seu programa na Record. Depois de passar quatro anos no domingo sem a mesma popularidade que o consagrou neste dia nos tempos do SBT, o apresentador migrou para a semana no ano passado, aprendeu com os erros e acertos e, em 2016, formatou a atração que leva seu nome de forma a reconquistar o público.

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sexta-feira, 6 de maio de 2016 Crítica, Programa | 13:30

“Video Show” melhora conteúdo, mas peca pela falta de identidade

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Até Susana Vieira foi escalada para ser uma das apresentadoras do "Video Show"

Até Susana Vieira foi escalada para ser uma das apresentadoras do “Video Show”

O “Vídeo Show” mudou sua linha nas últimas semanas e tornou seu conteúdo mais interessante para quem é realmente ligado em televisão. O programa parece ter encontrado um equilíbrio entre a quantidade de externas e de assuntos atuais com o resgate de cenas e momentos antológicos da nossa teledramaturgia. Por outro lado, peca em definir uma identidade na apresentação.

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quarta-feira, 23 de março de 2016 Crítica, Novela | 18:00

Onze anos depois de “Alma Gêmea”, Flávia Alessandra se repete em “Êta Mundo Bom”

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Flávia Alessandra como Cristina (à esq.) em "Alma Gêmea) e Sandra (à dir.) em "Êta Mundo Bom"

Flávia Alessandra como Cristina (à esq.) em “Alma Gêmea” e Sandra (à dir.) em “Êta Mundo Bom”

Flávia Alessandra não foi feliz na composição de Sandra, sua personagem em “Êta Mundo Bom”. A atriz está praticamente idêntica a Cristina, vilã de “Alma Gêmea” que interpretou em 2005.

A atriz repete nas duas novelas até a entonação da palavra "titia"

Além da interpretação, a atriz repete nas duas novelas até a entonação da palavra “titia”

Vários fatores acabaram pesando contra a atriz: as duas novelas serem do mesmo autor (Walcyr Carrasco), o que muitas vezes limita a margem de criação; o cabelo das duas ser loiro, variando um pouco no tom; e a ambientação de época das duas tramas, fazendo com que a postura de ambas seja parecida.

Até a entonação de “ti-tia” – que em “Alma Gêmea” ela usava para falar com Agnes (Elizabeth Savalla) e agora com Anastácia (Eliane Giardini) – é a mesma. Apesar de Sandra ser “menos má” que Cristina, as comparações são inevitáveis e isso prejudica a atriz, que poderia ter buscado outro tipo de interpretação ou simplesmente recusado o papel.

Compare as atuações e a entonação de “ti-tia” de Flávia Alessandra nas duas novelas:

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segunda-feira, 21 de março de 2016 Crítica, Novela | 07:00

Espetáculo visual, “Velho Chico” obriga o telespectador a olhar para a TV

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Rodrigo Santoro aceitou voltar para as novelas após 13 anos para fazer a trama

Rodrigo Santoro aceitou voltar para as novelas após 13 anos para fazer a trama

“Velho Chico” está no ar há uma semana enchendo os olhos de quem liga a TV na Globo por volta de 21h15. O diretor Luiz Fernando Carvalho – que alterna sucessos como “O Rei do Gado” com trabalhos não compreendidos pelo público, como a minissérie”A Pedra do Reino” – renovou a estética do horário ao repetir a parceria com o autor Benedito Ruy Barbosa. Esta primeira fase é um espetáculo, sobretudo, visual.

Produção de Velho Chico impressiona pelo esmero

Produção de “Velho Chico” impressiona pelo esmero nesta primeira fase

O esmero nas cenas é notado no figurino, fotografia, iluminação, cenografia e, claro, na interpretação dos atores. Só para citar alguns, Tarcísio Meira mostrou que aos 80 anos continua em ótima forma, dominando o primeiro capítulo. Selma Egrei é outra a ter a chance de por à prova seu talento na pele de Encarnação. A novela trouxe ainda Rodrigo Santoro de volta ao formato após 13 anos – a última que participou havia sido “Mulheres Apaixonadas” (2003).

A história em si não traz novidades: um romance proibido que atravessa gerações no interior do Brasil, com disputa de terras entre famílias rivais – mote idêntico ao de “O Rei do Gado”, de 20 anos atrás, da mesma dupla (e, diga-se de passagem, também com uma primeira fase impecável). Cada cena é produzida de forma tão saborosa que o texto acaba ficando em segundo plano – por enquanto é uma novela mais para ser vista que ouvida.

Tarcísio Meira e Selma Egrei dão show de interpretação

Tarcísio Meira e Selma Egrei dão show de interpretação

Já foram ao ar cenas de minutos sem uma fala sequer, mas sem enrolação. Os diálogos muitas vezes são pontuados com atos – como beber e comer – que ficam tão bem colocados que parecemos estar lá também, visitando a casa e observando o anfitrião.A edição, ágil, ajuda a espantar qualquer indício de marasmo ou enrolação. Com isso, algo que já não acontecia mais tanto voltou à tona: é preciso ASSISTIR  à novela, olhar para a tela para saber o que está acontecendo. Quem tenta ouvi-la enquanto mexe no celular, por exemplo, não consegue acompanhar a riqueza de detalhes.

Cena de sexo entre os personagens de Rodrigo Santoro e Marina Nery chamaram a atenção

Cena de sexo entre os personagens de Rodrigo Santoro e Marina Nery chamou a atenção

“Velho Chico” traz ainda para o horário um nicho que há 15 anos foi “banido” das 21h: as novelas regionais, que migraram para as 18h depois de “Porto dos Milagres” (2001), de Aguinaldo Silva. O sertão de gente simples é exibido, sem vitimização da pobreza e transpondo o telespectador que não queria mais ver favela no horário nobre.

Por enquanto a história flui com poucos atores, sem núcleos paralelos chatos como suas antecessoras (“A Regra do Jogo” e “Babilônia”). Ainda há certa liberdade e ousadia – como as cenas de sexo de Santoro com Carol CastroMarina Nery, nessa primeira semana. Os seios à mostra das duas indicam a naturalidade do tratamento da nudez pelo folhetim, algo que não acontecia em uma primeira semana de novela das 21h desde “Celebridade” (2003), quando Darlene (Deborah Secco) e Jaqueline Joy (Juliana Paes) fizeram topless e causaram reclamações dos mais conservadores.

O diretor Luiz Fernando Carvalho pensa em cada detalhe

O diretor Luiz Fernando Carvalho pensa em cada detalhe

Para arrematar, a trilha sonora foi bem escolhida pelo próprio Luiz Fernando Carvalho, começando com “Tropicália”, de Caetano Veloso, na abertura, e passando por nomes como Gal Costa, Alceu Valença, Marcelo Jeneci e Chico César.

Ainda é cedo para dizer que “Velho Chico” será uma obra prima da TV mas, se mantiver o cuidado com a estética que mostrou até agora na próxima fase, a novela tem chances de poder ser chamada assim e ser lembrada como o grande destaque da televisão em 2016. Por enquanto a audiência tem correspondido: a primeira semana marcou 31 pontos em São Paulo e 34 no Rio de Janeiro.

Perdeu a primeira semana? Assista ao teaser de apresentação da novela:

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016 Novela | 09:35

Tonico Pereira conquista e emociona em “A Regra do Jogo”

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Assim como Marieta Severo em “Verdades Secretas” no ano passado, Tonico Pereira voltou para as novelas mostrando seu talento após longos anos em “A Grande Família”. O ator transformou Ascânio em um dos melhores personagens de “A Regra do Jogo” e, esta semana, emocionou o público nas cenas em que ele descobre que Romero (Alexandre Nero) teria morrido.

Com o olhar, Tonico transmitiu o sofrimento e consternação de Ascânio, numa interpretação que costuma ser mais vista no teatro. Naquele momento, não estava ali o lacaio nem o dono das tiradas que salvam o humor da trama, mas um pai postiço que acabara de perder o filho.

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O personagem poderia ser mais um entre tantos desperdiçados na novela, além do risco de rejeição pelo aspecto asqueroso e sujo. Mas, experiente, o ator soube fazê-lo crescer e conquistar o telespectador, o que lhe rendeu recentemente uma homenagem no “Domingão do Faustão” e, agora, palmas nessa reta final da história, que termina dia 11.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 Novela | 19:38

“Totalmente Demais” dribla conservadorismo e marca golaço abordando a homofobia

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Contrariando a onda conservadora que vem tomando conta da teledramaturgia – como o sucesso de “Os Dez Mandamentos” e a guinada global de fazer as tramas caipiras e interioranas “Êta Mundo Bom” e “Velho Chico” para um público que se diz “cansado de violência, favela e gay nas novelas” – “Totalmente Demais” marcou um golaço nos últimos dias, levantando a discussão sobre violência a homossexuais.

max-atacadoSem alarde, a novela das 19h mostrou no último sábado (20) a agressão que Max (Pablo Sanábio) sofreu ao ir para casa com outro homem, que conheceu em uma festa. Eles vêm conversando, sem beijos nem carícias, mas o rapaz reluta em andar de mãos dadas ao passarem por um grupo de homens. “Relaxa, a gente está no século 21, não é possível que alguém se incomode com isso”, diz o booker para o pretendente. Ao ver o casal andando na rua, o grupo começa a agredí-los, primeiro jogando uma pedra. “Que que é, casal de bichinhas, machucou, foi?”, questiona um dos rapazes. “Essa raça tem tudo que ir pro inferno mesmo, sabia?”, completa outro.

Max resolve tirar satisfações. “Esses idiotas vão ter que me respeitar, eles vão ouvir. Quem foi o covarde que jogou essa pedra?”. “Vocês boiolas tem de aprender uma lição”, respondem, jogando-o no chão e dando-lhe vários chutes. “Bicha, vira homem de verdade”, gritam, enquanto Max pede socorro. Só param quando Rafael (Daniel Rocha) intervém e um vizinho diz ter chamado a polícia.

A câmera por trás do casal no momento seguinte à pedra jogada registra bem o temor/pânico que os casais homossexuais sofrem nesse tipo de situação, e como tudo acontece tão rápido. Rafael o tira do chão, com o rosto machucado, e o leva para casa, cuidando de seus ferimentos e dizendo que precisam ir à delegacia. Chorando, ele dá um grito e sua reação é natural para muitos que perderam a sensação de segurança de andar na rua apenas por conta de sua sexualidade.

max-machucado

“Isso não vai dar em nada mesmo, eu só quero esquecer. Eu me enganei, achei que o mundo todo era seguro para pessoas que nem eu (…) Mas com o que aconteceu hoje eu lembrei que tem muita intolerância, muito preconceito, muito ódio. Porque não aceitam meu amor? Por que não posso andar de mãos dadas como todo mundo? Eu não posso ter medo de andar na rua. Tenho o direito de ser feliz também”, desabafa.

Em um 2016 no qual os homossexuais da TV – costumeiramente presentes nas novelas nos últimos anos, ajudando a quebrar preconceitos e levantar as discussões em família – foram trancados de novo no armário, “Totalmente Demais” destoa e mostra, assim como “Tititi” em 2010, que o tema pode ser discutido com profundidade fora do horário das 21h, sim. Parabéns aos autores Rosane SvartmanPaulo Halm por, em uma trama leve e com boa audiência, abordar a questão, e aos atores pela cena.

Assista a um trecho abaixo:

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016 Crítica, Programa | 11:00

Xuxa e seus fãs merecem um programa melhor

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O que era impensável  – imaginar Xuxa fora da Globo – se tornou real em agosto do ano passado, quando a apresentadora estreou “Xuxa Meneghel” na Record. Cercado de expectativa, a atração mostrou em curtíssimo prazo não ser capaz de atrair o público nas noites de segunda-feira. E dificilmente daria certo em outros horários na grade de qualquer emissora.

O programa é arrastado, sem ritmo. Na última segunda (15), por exemplo, a primeira meia hora foi dedicada ao quadro “Na Lata”, no qual meninos e meninas de comunidades carentes disputavam quem dançava melhor. Depois, os três convidados – Buchecha, MC Gui e Giselle Itié – precisaram adivinhar que música estava tocando através de mímicas. Nem Xuxa caracterizada como o dublador Pablo do extinto “Qual é a Música” conseguiu impedir bocejos.

Em seguida, ela fez uma paródia do filme “Tropa de Elite”, seus convidados cantaram e o programa chegou ao fim, sem atrativos. Mas não foi um problema pontual, a falta de quadros, entrevistas e convidados interessantes se repete a cada semana. Mesmo os fãs mais ardorosos da eterna Rainha dos Baixinhos precisam fazer esforço para conseguir ver e gostar do que está indo ao ar. <\div>

O “Toc Toc”, quadro em que ela visita algum fã de surpresa, fez sucesso no início – imagina um ex-baixinho dar de cara com a Rainha de sua infância em casa? Porém, tornou-se repetitivo, mesmo variando as cidades visitadas.

O quadro “Contos de Fadas”, no qual Xuxa leva algum convidado para a cama com o intuito de revelar como se comporta na hora H, nunca mostrou a que veio. Nada à vontade, Anitta foi uma das que fugiu pela tangente quando instigada a revelar suas preferências na cama. E quando a conversa esquentava, um sinal tocava, fazendo a apresentadora “voltar para a casinha”. Logo viu-se uma Xuxa tolhida, que se preocupava com o horário e com o que poderia ou não dizer, repetindo que religião era um dos assuntos a serem evitados.

Anitta não ficou nada à vontade na cama com Xuxa

Com o tempo ela percebeu que ter mudado de emissora não lhe deu tanta liberdade assim, mesmo que acreditasse e propagasse o contrário nos primeiros meses. O fato de o programa ser ao vivo – uma das poucas coisas boas – rendia sempre pérolas e revelações, além da curiosidade em ver como Xuxa iria se comportar.

Desde dezembro a atração vai ao ar gravada e a impressão que se tem, infelizmente, é de uma apresentadora sem alma, passando o tempo no palco. Suas gracinhas não vão ao ar e, mesmo deixando de ser ao vivo, um dos principais problemas não foi sanado – os quadros continuam morosos e desinteressantes.

Sem convidados de peso (além do elenco da Record e alguns de seus antigos amigos, como Alexandre Pires, Ivete Sangalo e o próprio Buchecha), o programa se calça principalmente na figura da apresentadora. Por mais que tenha conquistado gerações desde a década de 80, a presença de Xuxa, sozinha, não é suficiente para manter o telespectador acordado até tarde.

Há de se louvar que “Xuxa Meneghel”  (assim como o “Legendários”, de Marcos Mion) destoa de toda a linha de shows da Record – que abusa do assistencialismo e sensacionalismo. Até agora a apresentadora tem resistido em explorar dramas de doentes/pobres/deficientes em troca de audiência fácil, como faz Gugu às quartas-feiras e Geraldo Luís aos domingos. “Não quero histórias tristes”, ela vive repetindo.

A atração chegou a tal nível de desinteresse do público que é derrotada quase toda semana pelo “Programa do Ratinho” e o “Máquina da Fama”, do SBT. A baixa audiência também fez Xuxa perder 20 minutos de duração – o programa de segunda-feira (15) foi ao ar de 22h40 às 23h50, diferente de algumas semanas atrás, quando ocupava a grade das 22h30 à 0h.

Tal situação deixa sua ex-emissora confortável. Ao contrário do que fez quando Gugu estreou, a Globo nem se preocupa em esticar o capítulo da novela para prejudicar a audiência dela, que faz apenas cócegas na liderança dos filmes de “Tela Quente”.

“Xuxa Meneghel” chega a ser uma cópia chinfrim do “Planeta Xuxa” – que de 1997 a 2002 misturava atrações musicais com entrevistas no sofá aos finais de semana. E sua audiência não melhoraria em outro horário – se fosse ao ar na tarde de domingo, por exemplo, ou nas noites de sábado, provavelmente manteria o terceiro lugar.

A culpa não é exclusiva da emissora – desde seus últimos anos na Globo, Xuxa faz questão que seu programa seja nesse formato., o que compromete alterações que se reflitam em boa audiência. Este ano mudanças são inevitáveis e tudo pode acontecer – inclusive o rompimento do contrato, dependendo do tamanho do descontentamento que vier a ter.

O fato é que, sem o pulso firme de Marlene Mattos – com quem encerrou a parceria em 2002, Xuxa se perdeu. Ao contrário de Eliana e Angélica, que fizeram a transição para o público adulto e hoje comandam com tranquilidade suas atrações, ela penou para conquistar uma outra geração de crianças e ainda não descobriu o caminho para satisfazer os adultos que guardam no coração a Rainha que cresceram assistindo. Por toda sua história na TV, Xuxa – e principalmente seus fãs – merecem um programa melhor.
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